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sábado, 6 de março de 2010

Gordon Matta-Clark

Gordon Matta-Clark, Tree Dance, 1971

Gordon Matta-Clark no MAM

Gordon Matta-Clark: desfazer o espaço
Curadoria:Tatiana Cuevas e Gabriela Rangel
12 de fevereiro a 4 de abril de 2010
Depois da estréia no Museo Nacional de Bellas Artes do Chile, é a vez do Museu de Arte Moderna de São Paulo receber Gordon Matta-Clark: desfazer o espaço, primeira retrospectiva abrangente do artista provocativo e irreverente a excursionar pela América do Sul. Organizada pelo Museo de Arte de Lima em colaboração com o Espólio de Gordon Matta-Clark e o apoio da David Zwirner Gallery, em Nova York, a mostra abrange aspectos da obra e da vida do filho do artista surrealista Roberto Matta, ainda pouco conhecido do grande público neste continente. Gordon Matta Clark: desfazer o espaço investiga a resposta crítica do artista à falência da arquitetura moderna como esforço humanista e ao colapso das políticas habitacionais ao lado de sua preocupação em criar abrigos (residências auto-sustentáveis como paredes de lixo ou “garbage walls”, “basket houses”, casas-balão, entre outros) que ainda pudessem encontrar eco nas mudanças urbanas e nas demandas sociais de vários países da América do Sul.
"Gordon Matta-Clark (1943-1978) adoraria estar agora em São Paulo. "Essa cidade tem problemas que lhe renderiam novos projetos", diz Jane Crawford, viúva do artista americano e detentora de seu espólio. Arquiteto por formação, Matta-Clark teve, na década de 1970, uma carreira artística curta, de apenas dez anos, baseada em Nova York, sua cidade natal. "Era uma metrópole em crise de dinheiro, com fábricas que se transferiram de lá, um tempo diferente. Gordon viu as pessoas vivendo nas ruas e ele era pobre também, mas não chegou a ser um sem-teto", diz Jane, que o conheceu no fim de 1975 e com ele ficou até sua morte. Para as pessoas não dependerem apenas de caixas de papelão como morada, Matta-Clark criou em 1970 o Garbage Wall (Parede de Lixo), uma solução "mais segura" para a construção de casas, quatro versões de muros feitos com embalagens encontradas gratuitamente no lixo e concreto. Hoje, diz a viúva do artista, ele se interessaria pelas favelas."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ensaio no MAM/ Duchamp

Fiz isso com a Fernanda Calmanovitz vestindo as peças da dormir...
(postei abaixo algumas fotos dias atrás)
Agora mostro o ensaio com trilha de John Cage.
clique direto! play.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

dormirpradespertar e Duchamp






Realmente é um luxo...uma honra poder fotografar as roupas da dormirpradespertar junto às obras do Duchamp, no MAM de São Paulo. Foi delicioso esse exercício improvisado que fomos fazer...
Em 1920, a propósito de "Fresh Widow", um ready-made obtido a partir de uma janela verde com painéis de pele preta, Marcel Duchamp criava um pseudónimo: Rose Sélavy. Mais tarde, em 1921, Rose Sélavy "ganhava" um "r" e transformava-se em Rrose Sélavy... "EROS c'est la vie". O pseudônimo de Duchamp apontava claramente para uma direcção erótica. O duplo "Rr" estaria ligado a uma pintura de Francis Picabia - "Oeil Cacodylate" - onde alegadamente o autor terá pedido a diversos amigos para assinar a obra e Duchamp terá escrito "Pi Qu' habilla Rrose Sélavy", estendendo o significado de "EROS c'est la vie" para "Arroser la vie" - qualquer coisa como "Picabia aproveita a vida". Estes jogos de palavras, ou trocadilhos, se quisermos, são freqüentes na obra de Duchamp. O artista francês gostava de jogar com as palavras, cativando e, ao mesmo tempo, confundindo as pessoas. A única coisa que levava a sério era o erotismo e esse era um dos principais motores das obras idealizadas por Rrose Sélavy, a par das ilusões ópticas (ou "precisões ópticas", como lhes chamava Duchamp). São estas "precisões ópticas" que estão na origem dos famosos "rotoreliefs" - ilusões ópticas a 3 dimensões, quando apresentadas numa superfície rotativa, como um gira-discos.
A 30 de Agosto de 1926, Marcel Duchamp (sob o pseudónimo Rrose Sélavy) apresenta "Anémic Cinéma" pela primeira vez ao público, num cinema de Paris. Filmado em conjunto com o amigo e artista Man Ray, "Anémic Cinéma" socorre-se do tal mecanismo ilusório provocado pelos "rotoreliefs", alternando-os com uma série de trocadilhos franceses encaixados numa espiral giratória. À partida, o significado figurativo de trocadilhos como "la moelle de l' épée" e "la poele de l' aimée" roça o "non-sense". Contudo, a referência às relações sexuais torna-se óbvia com a leitura dos discos seguintes. A marcha acelerada dos trocadilhos e dos "rotoreliefs" provoca uma explosão de ilusões ópticas no espectador (originadas pela inconsistência da percepção humana) e, de repente, as formas estampadas no ecrã (na tal superfície plana...) assemelham-se aos seios e à genitália evocadas pelas palavras. Em "Anémic Cinéma", a sexualidade não é revelada através das palavras, nem tão pouco está representada nas tais "precisões ópticas". Em "Anémic Cinéma", a sexualidade é interpretada pelo espectador, quando olha para a justaposição dos textos e dos "rotoreliefs". Em "Anémic Cinéma", a sexualidade é vista por... nós.

essas informações foram são do livejournal